Um dia de ideias de jerico


Hoje fiquei sabendo de uma coisa tão, mas tão bizarra que precisei escrever sobre. A ~musa fitness~ Gabriela Pugliesi decidiu que faria (mais) um grande desserviço à todas as mulheres propondo o seguinte dasafio: você tira fotos suas (nudes), manda pra sua melhor amiga e diz pra ela que se você sair da dieta, ela pode vazar suas nudes para a internet. Ainda disse nos vídeos do Snapchat que essa ideia dela é mesmo muito “MARA”.

Olha, já li muitos textos bacanas falando dessa história hoje, mas queria falar sobre duas coisas que li que me assustaram sobre essa moça. Veja bem, Gabriela Pugliesi não me representa. Na verdade ela representa a magreza a todo custo e isso é algo completamente oposto ao que represento. Não quero dizer que sou contra o emagrecimento, eu acho que cada um tem que fazer o que bem entender com o próprio corpo. Mas a partir do momento que uma pessoa diz que você tem que ser magra de qualquer jeito, que revenge porn é a punição por não seguir a dieta e quando essa pessoa tem um público composto por adolescentes, aí eu preciso falar.

Quando eu era adolescente, eu queria ser popular. Eu queria ser a menina mais popular da escola (como em todos aqueles filmes americanos), mas eu nunca tive a chance porque já falhava no primeiro pré-requisito que estava estampado em todas as revistas Capricho e Toda Teen: tem que ser magra. Quando tinha 16 anos, eu era claramente a mais gorda de todas as minhas amigas, chorava porque já pesava mais do que 60kg e tinha seios, barriga e tinha que usar o maior tamanho de uniforme. Ninguém sabia disso, mas eu me odiava profundamente. Tomei um remédio que só me fez mal, vivia com sede e cansada por causa dele, mas todo mundo dizia “nossa, tá emagrecendo! que ótimo” ou “tá com os braços fininhos hein”.

Isso porque eu só tinha a revista Capricho para me dizer o que era o ideal. Imagina hoje com a internet! Já viram quantas meninas com menos de 15 anos que dizem que ser gorda é a morte? Daí vai lá a ~musa~ e diz que você tem que comer pelada na frente do espelho para sentir vergonha de comer. Que sua amiga tem que vazar suas nudes se você não “ficar na linha”. Querida, dê uma olhada em todas as estatísticas de adolescentes que se suicidaram porque tiveram suas nudes vazadas na internet. Pesquise os dados estatísticos de bulimia e anorexia na infância e adolescência e coloque a mão na sua cabecinha e pense que a senhora é uma pessoa pública que influencia pessoas que seguem as suas “dicas” porque querem ser magras a-qualquer-custo.

Também aprenda a se responsabilizar pelos seus atos. Dizer “ai gente, foi só uma bricadeira” e “ai gente não pode mais nem brincar, que mundo chato esse” também não cola. Entenda que não é que não se pode mais fazer brincadeira, mas que estamos cada vez mais intolerantes a comentários escrotos.

Ninguém falou por mim quando eu tinha 15 anos, ninguém me deu outra saída. Então essa é a minha responsabilidade. E sua também.

Débora Fomin

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