Traindo o Movimento


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Faz algum tempo que estou ensaiando para falar sobre isso até que vi um link que achei tão absurdo que não consegui mais esperar. Tratava-se de um post de blog com dicas de emagrecimento para meninas que estão muito acima do peso e querem fazer academia mas não querem ser “a gorda da academia”, então ele dava uma dieta e uma série de exercícios para fazer em casa para você chegar no peso ideal para ser o “acima do peso” aceitável para entrar em uma academia. Fiquei indignada e isso tudo juntou com o que venho pensando ultimamente sobre o movimento plus size e sobre os dois extremos nos padrões de beleza. Um sendo o “acima do peso aceitável para entrar em uma academia” e o outro sendo “se você levanta a bandeira do plus size, não pode emagrecer”.

Sabemos que está na natureza do ser humano julgar, julgar pessoas, maquiagem, roupa, peso, tudo. E queria dizer em primeiro lugar algo que já disse repetidas vezes aqui no Overlicious: a única bandeira que levantamos é a do amor próprio. Isso é algo que foi amadurecendo em mim ao longo dos anos porque eu já cheguei a pensar um dia que não podia emagrecer porque estaria traindo o movimento plus size e não teria moral de escrever sobre o assunto. Depois de um tempo fui percebendo que os nossos ícones e as meninas que mais admiramos não são as gordas que se vestem bem, são meninas que tem o corpo diferente do padrão estabelecido e se sentem bem dentro da própria pele – como no caso da Nadia e da Tanesha, que são meninas que estão longe de serem obesas, mas também não são magras. Me dei conta que falo tanto de moda plus size porque esse é o biotipo mais atacado pela nossa sociedade.

Hoje eu li um texto da Renata falando sobre exatamente isso, eu até agradeci pelo texto, era o que estava precisando. Muita gente confunde o que a gente faz com apologia a obesidade. E nós sabemos que obesidade é uma doença, ninguém aqui quer menina doente em nome do plus size. Eu não quero ficar doente em nome do plus size. Eu não quero subir um lance de escada e ficar com vontade de morrer em nome do plus size. Isso foi uma decisão minha, eu sei que muitas meninas estão 100% saudáveis e bem mesmo sendo gordinhas e é por isso que fazemos o que fazemos, algumas pessoas simplesmente são gordas e pronto. Eu sei que na minha vida inteira eu nunca fui magra, eu era aquele bebê gordo com bochechas grandes, eu era uma criança que brincava pra caramba e ainda era gordinha e fui uma adolescente rechonchuda. Eu sei que não vou ser magra, mas quero ser saudável.

Essa é a primeira vez que falamos de saúde aqui porque eu estava sentindo que estava negligenciando esse assunto e abrindo janelas para que falassem que nós fazemos apologia a obesidade. Esse também não vai ser um assunto recorrente por aqui porque não é o nosso foco. Mas vale dizer, querida, saúde é mais importante do que looks e maquiagens bafo, é mais importante do que qualquer coisa que você possa comprar, qualquer namorado que você possa ter, qualquer trabalho, dinheiro, etc. E sim, recomendamos que você vá ao médico, vá à nutricionista, faça academia (seja a gorda da academia, foda-se), cuide-se. Não adianta muito ter a pele bem tratada e cabelos brilhantes se você está de mal com o resto do seu corpo. E escute-o! Ele é o primeiro a falar quando está algo errado. Este é o primeiro passo do amor próprio.

Débora Fomin

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