Gorda Pode: Praticar Slow Fashion


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Quando eu comecei o Overlicious lá em 2010 o mercado de moda para gordas não era o que é hoje, tudo o que a gente encontrava em lojas especializadas eram roupas para um público diferente e que não representavam mulheres jovens com informação de moda. Hoje esse cenário é bem diferente: temos marcas independentes, bazares alternativos e até as marcas de antes andam se esforçando para fazer uma roupa que valorize e não esconda o corpo da gorda. Percebi então que o mercado plus size caiu no mesmo problema da moda de tamanhos convencionais: o do consumo desenfreado. Fomos de “não tenho roupa” para fazer compras por impulso, deixando peças encostadas em nosso armário e gastando um dinheiro desnecessário.

Por isso comecei a me interessar bastante pelo slow fashion: prática de desacelerar o consumo de moda e fazer compras conscientes sem gastar um dinheiro que podemos usar com coisas mais legais. Tudo começou quando comecei a acompanhar o Trocaderia e quando fui para o Rio para o evento de lançamento do Big Brechó; vi a quantidade de peças que mulheres gordas têm paradas em seus guarda-roupas e como elas podem ser reutilizadas de forma inteligente através de trocas e bazares.

Já existiam muitos eventos de trocas por aí e Deus sabe a quantidade de brechós que tem em São Paulo, o problema é que poucas gordas participavam, as trocas ficavam limitadas e os brechós não atendiam a demanda de tamanhos maiores. Aí meio que sem querer o slow fashion virou um privilégio para meninas magras e ficamos à mercê das lojas, das roupas encalhadas, da Forever 21, de procurar o que servia em magazines, Aliexpress etc. A gente nunca pensa de onde vem as nossas roupas, quem trabalhou para elas existirem e se aquele preço que estamos pagando é mesmo justo para quem fabricou e também para nós, o consumidor final. Por isso comecei a estudar maneiras de praticar o slow fashion mesmo sendo gorda e olha, é possível.

O primeiro passo é o Detox de Compras, esse link aqui me ajudou bastante a ter um ponto de partida e ele explica em 5 passos básicos o que fazer para se desintoxicar do consumo excessivo, limpar o guarda-roupas e depois alimentá-lo de forma econômica e inteligente. Decidi escrever esse post para complementar esse detox com dicas para quem é gorda:

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A Mari fez esse exercício de auto-conhecimento que é maravilhoso: basicamente você faz um scrapbook com coisas que definem o seu estilo pessoal e também o que você gostaria que fizesse parte dele. Essa é uma maneira visual de entender mais sobre você e determinar padrões para o seu senso estético.

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A minha tática de limpeza de guarda-roupas é a seguinte: se eu não uso há mais de um ano, e não vou usar mais. Por que? Porque em um ano você passa por tudo: aniversários, casamentos, Natal, Ano Novo, frio, calor, esporte, balada, etc. Se em um ano você não usou aquela peça, pode passar pra frente. O seu scrapbook também vai te ajudar muito nesse processo, você pode até ter usado uma roupa no último ano, mas se está querendo mudar o seu estilo, pode descartar também.

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Veja tudo o que sobrou e tente montar looks com essas peças. Pense em cores, no que você quer substituir (caso tenha sido descartado porque não serve mais ou porque manchou). Vá às compras com um FOCO, nada de ficar passeando em lojas e imaginando o que você possa querer porque é aí que mora o perigo: a gente entra na loja sem saber o que quer, vê que está barato, compra e não usa e fica nesse ciclo vicioso pra sempre. Vá munida da sua cartela de cores, do seu scrapbook e da quantidade do que você precisa.

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Aí que entram os eventos de troca, bazares e brechós. Pegue tudo aquilo que você não quer mais, fotografe e envie para grupos de troca (existem muitos no facebook), venda para brechós (dá um pulo lá no Big Brechó), troque com as amigas e faça o máximo para não precisar pisar em um shopping. Não existe problema nenhum em ter roupas de segunda mão, apenas certifique-se de que ela está em boas condições e se o preço é justo. As roupas de segunda mão são boas porque têm caráter e são exclusivas.

Precisa mesmo comprar? Sem problemas, dá uma passada lá no Bazar Pop Plus Size para conhecer as marcas de fabricação própria e preço justo. Fale com as pessoas que trabalham lá e saiba a procedência daquilo que você está comprando. As fast fashions estão proibidas? Não, claro que não. Uma dica é comprar peças básicas em lojas de fast fashion como calça jeans e casacos bons de frio, dê preferência para peças atemporais e de boa qualidade.

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Terminando as compras, monte looks com suas peças que ficaram da triagem, as peças de brechó e as novas. Não precisa divulgar, virar blogueira, nada disso. O lookbook serve para você saber como combinar todas as suas roupas para qualquer ocasião e ele ainda salva nos dias que você não quer perder tempo escolhendo roupa. Esse cardigan lindo é desapego de uma gorda amiga do facebook, ela não conseguia usar, eu achei lindo e foi um bom negócio pras duas.

Bora praticar?

Débora Fomin

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