Fattitude: deixem os gordos em paz!


large Um dos sites que mais gosto de ler é o Lugar de Mulher, gosto dos textos que fazem você pensar sobre o lugar da mulher na sociedade e como muitas coisas não têm acompanhado o avanço feminino no mercado de trabalho, na sociedade, no mundo. Ele também fala sobre o que é ser uma mulher gorda, o espaço que nós temos e me faz pensar muito sobre o preconceito que nós temos na nossa cabeça desde que nascemos onde ser gordo é ruim, e até mesmo a palavra “gordo” tem uma conotação ruim. Um dos textos que me chamou a atenção foi sobre o kickstarter Fattitude, um documentário que fala sobre o que é ser gordo na nossa sociedade e como até mesmo nós gordos temos preconceito de gordos.

Achei interessante o vídeo, me fez pensar. Ele mostra como ser gordo é uma coisa negativa e como isso está em todos os lugares que vemos: em filmes os gordos são monstros, ogros, maus, em seriados eles são engraçados, desajeitados, é hilário como nunca conseguem encontrar alguém que os ame, ou quando são mostrados em personagens positivos são sempre “a melhor amiga do personagem principal, que sente inveja da vida incrível da amiga magra”.

O que achei engraçado é que ele me fez questionar até as minhas próprias crenças porque com o aumento da comunidade plus size, do body positive, do amor próprio e da luta contra o padrão de beleza veio junto um segundo movimento, o “isso é uma desculpa para não parar de comer”. E me peguei pensando nisso enquanto via o vídeo porque pegaram tão pesado no discurso de “tudo bem ser obeso” que comecei a pensar sobre os meus próprios padrões, do que é aceitável ser plus size para mim. Achei interessante o comparativo que fizeram falando que as pessoas sempre dizem que obesidade é doença, que ser gordo é oposto de ser saudável e isso é como olhar para uma pessoa “normal” e dizer “você tem câncer” “você não é saudável” “você está doente”. E sim, eu sei que muitos problemas de saúde são resultado da obesidade mas em muitos, muitos e muitos casos não são. Até onde essa crença é preocupação e quando é que ela vira gordofobia?

Por que “gordo” é uma palavra feia? Sempre que eu falo “sou gorda” as pessoas me olham estranho como se eu tivesse falado o pior dos palavrões e algumas até me falam “ah, não fala assim, você está gordinha e pode emagrecer, você é linda”. Sim, eu nunca disse que sou feia, eu disse que sou gorda e se eu sei disso é por que todo mundo também sabe e se todo mundo sabe em conjunto qual o problema em dizer? Qual o problema com essa palavra? E outra, qual o problema em ser feliz do jeito que eu sou? Essa semana estava na academia e veio um daqueles professores me perguntar por que estou fazendo academia e eu respondi “porque quero ser mais saudável” e ele “mas não quer emagrecer?” e quando eu respondi que estou feliz desse jeito deu pra ver a raivinha dele de não conseguir tirar um “eu odeio meu corpo” de mim. Porque, pasmem, eu não me odeio.

Acho triste mesmo ter que fazer um documentário para falar que gordo também é gente, que gordo também sente, porra! Não precisava disso! Estamos em 2014 e ainda temos uma mente tão limitada que me dá vontade de chorar. Ainda tem gente querendo colocar seres humanos em uma caixa e falando na mídia o que é certo e o que é errado sendo que é só colocar a cara para fora da janela e ver que todo mundo é diferente. Qual o grande problema de celebrar as diferenças? E não estou falando isso para fazer apologia a nada, não estou falando isso porque quero passe livre para comer. Ninguém se importa com a minha saúde até ouvir que eu não tenho problema em ser gorda, e engraçado que ninguém quer saber dos meus exames (que, por acaso, estão todos dentro dos conformes). Estou falando isso porque quero que me deixem em paz, que deixem os gordos em paz, que deixem as pessoas serem felizes de sua maneira, que PAREM DE CAGAR REGRA.

Sei que não podemos esperar que a nossa sociedade mude do dia para a noite, mas o que podemos fazer é mudar o nosso próprio pensamento e substituir por novas crenças: tudo bem ser gorda, eu mereço ser amada, eu também posso sentir, eu posso usar a roupa que eu achar melhor, eu posso ser bonita e não preciso compensar nada com minha personalidade. Apenas um desabafo. Vejam o vídeo no link (ele está em inglês) Débora Fomin Ps: Para provar o meu ponto: fiz uma pesquisa por “fat” no WeHeartIt e fiquei passada com a quantidade de imagens negativas com a frase “I hate my body” (“Eu odeio meu corpo”). Triteza.

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