Eu Não Tenho Sorte de Sofrer Assédio


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Semana passada foi muito complicada para as mulheres. Tivemos nossos direitos limitados pela PL-5069 (saiba mais sobre isso aqui e aproveite para assinar a petição), Valentina do programa Masterchef Junior com apenas 12 anos sofreu assédio em nível nacional o que gerou a #primeiroassédio.

Essa movimentação iniciada pelo Think Olga, gerou mais de 70 mil tweets com a hashtag e trouxe à luz uma realidade: o assédio começa na idade média de 9 anos de idade. Fiquei em choque com isso tudo, inclusive compartilhei a história do meu primeiro assédio. Daí vi esse vídeo da Jout Jout:

Muitas amigas minhas compartilharam esse vídeo e o que me chamou a atenção especialmente foi o que foi dito sobre ser esperado das mulheres que se sintam lisonjeadas quando são assediadas. E isso é algo MUITO recorrente com mulheres gordas. Porque além de ficar felizona com o fato de alguém nos desejar, temos que nos sentir SORTUDAS por alguém querer ficar com uma gorda.

A norma é que gorda é feia, é peluda, não transa. Que morre de medo de ficar sozinha e que se conseguir encontrar um marido já pode se dar como satisfeita. Mas vou te falar que essa não é a minha realidade e nem a realidade de muitas mulheres gordas. Eu nunca tive que me submeter a sexo por desespero, nunca fiquei com alguém que não me atraísse só pela oportunidade de transar. Sempre escolhi quem podia ou não me tocar e surpresa! Não estou interessada em me casar.

Eu não tenho sorte se você tem fetiche em gorda, eu não tenho sorte se você me chama de gostosa na rua, eu não tenho sorte de receber foto da sua piroca sem ter te dado qualquer abertura. Não é porque eu sou gorda que não posso ser amada, desejada e respeitada. Assédio é assédio e não deixa de ser se ele é direcionado à uma mulher gorda.

E se você é gorda e pensa que se não se submeter à coisas que você não quer vai ficar sozinha, tenho uma coisa a te dizer: isso não é verdade. Não vou te dar uma fórmula secreta, não vou dizer que quando você para de procurar, alguém aparece, não vou dizer nada disso. A realidade é que você precisa aprender a se amar e ser feliz sozinha. De verdade. Porque essa é a única forma você nunca mais precisar aceitar migalhas, e nunca mais sentir que algo está faltando enquanto você não tiver alguém.

É difícil? Muito! Eu passo por isso toda hora. Mas é necessário porque não adianta a gente só reclamar do assédio. Adianta se a gente parar submeter a ele por medo, e adianta mais ainda se a gente parar de se silenciar em prol do conforto. E como diz a Jout Jout: vamos fazer um escândalo.

Porque chega, né?

Débora Fomin

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