Um apelo às marcas plus size


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Ontem à noite eu estava lendo um texto muito bom na Cosmopolitan (!!!), tratava-se de um apelo para que as marcas usassem modelos que representem o público plus size em seus anúncios. Fiquei surpresa de ter visto essa atitude vindo de uma revista feminina mainstream (será que estou ouvindo sinos de mudança da ditadura de beleza pregada por esses veículos?) já que essas muitas vezes ignoram a presença desse público tão importante para a indústria da moda e beleza e consequentemente para a economia, principalmente de seu país de origem: os Estados Unidos. Gostaria de reproduzir essas idéias aqui e também deixar o meu apelo à algumas marcas brasileiras.

Já falei sobre isso aqui no Overlicious e já fui mal interpretada quando disse que gostaria de ver meninas mais gordas e sem tanto tratamento de imagem em campanhas de marcas plus size, eu entendo que o que as marcas apresentam é o que as pessoas se sentem confortáveis vendo: uma mulher “magra” com curvas. Isso vende e eu entendo. Mas não tenho como olhar para uma roupa no corpo de Robyn Lawley e ter uma idéia de como ela vai ficar no meu, ou uma lingerie no corpo de uma modelo plus size que usa 46. Pense comigo, se víssemos mais mulheres nas passarelas, em propagandas e em campanhas de marcas plus size que fossem de fato gordas, nós nos sentiríamos mais confortáveis com a ideia de que mulheres gordas podem ficar e realmente ficam bonitas usando aquelas roupas. O problema é que as marcas vendem essa ideia de que você deve se aceitar, mas a menina no anúncio não nos representa. Não me entendam mal, essas meninas nos anúncios são realmente lindas e com certeza deveriam ser consideradas para anúncios de tamanhos regulares, já que as modelos do tamanho regular também não representam seu público.

Mas eu também aplaudo a decisão de algumas marcas plus size ultimamente de colocarem meninas que representam o público plus size em seus anúncios como a Xica Vaidosa que escolheu blogueiras para criar e modelar as peças do verão. A Flaminga que também sempre faz questão de colocar meninas que representam o plus size fotografando pessoas como a Ju Romano e a Babu Carreira para escolher e modelar suas peças. Também tem a Marisa que colocou o pé na água e desafiou o seguro das grandes magazines colocando peças atuais e jovens além de também trabalhar com a Ju Romano que representa a maior parte do público plus size jovem.

A exposição é realmente importante! As marcas não podem vender um produto para a ideia de um publico! Principalmente para uma “minoria” que é alvo de preconceito, não usar a menina que representa o plus size no anúncio só fortalece o preconceito e faz o efeito contrário da esperada aceitação do corpo gordo. É muito lindo dizer “aceite seu corpo” se a marca se recusa a mostrar como uma menina gorda ficaria em suas peças. Acho que muitos conceitos da moda estão ultrapassados e entre eles está fazer da modelo um cabide para a peça. Talvez as modelos devam ser usadas para humanizar uma coleção e não só ser a reprodução de uma foto em still.

Então aqui fica o meu incentivo para que as marcas saiam da menina que usa 46 e fotografe a menina que usa 52! Pense quantas pessoas não vão sair de sua zona de conforto e explorar novos modelos e estilos que elas nem sabiam que poderiam funcionar :)

Débora Fomin

 

 

Last night I was reading a great article in Cosmopolitan Magazine (!!!) concerning plus size brands and their use of models that do not represent the plus size public in their fashion campaigns. I was quite surprised to see such an article coming from a mainstream magazine (could I be finally hearing the bells of change in the beauty standards these vehicles deem acceptable?) once they usually just ignore the existence of the plus size community altogether, not to mention the importance of the community for the economy, especially in the US. I would also like to talk about this issue because it is very recurrent in brazilian brand cases.

I’ve talked about this before and was quite misinterpreted when I said I wanted to see actual plus size girls and less Photoshop in plus size brands ads. I understand that the brands are doing what they can in order to sell their products, therefore using girls that are more acceptable to our society’s standards of beauty, and what we end up seeing is a skinny girl with curves. Even though I understand the process, I don’t agree with it. I mean, I can look at a dress in Robyn Lawley’s body and know how it will look in my body, or a sexy lingerie in a size 10/12 model if it’s made for size 22 girls. If we ever saw real fat women in the runway or plus size fashions spreads, wouldn’t we feel more comfortable with the idea that big girls can actually look good in those clothes? I think that the biggest issue is that plus size brands usually preach body acceptance and self love but the girl in their pictures does not represent the public they are trying to sell their clothes to. Don’t get me wrong, plus size models like Robyn Lawley are gorgeous and I think that they should be considered for regular sizes, since models for the regular sizes do not represent their public either.

With that being said, I would like to congratulate the decision of a few Brazilian plus size brands to put in their ads girls that represent their final consumer. Brands like Xica Vaidosa that chose plus size bloggers to create and model their summer collection, the multibrand e-store Flaminga that called out real plus size ladies like Ju Romano and Babu Carreira to choose their favorite pieces. The retail-clothing store Marisa that took a shot at making clothes for young and modern plus size girls using Ju Romano as the face of the collection.

Exposure is really important and plus size brands can’t sell a product to the idea of a public, especially if the public is a minority. Not using a real plus size girl in fashions spreads only reinforces the idea that being plus size is ugly and wrong and does a huge disservice to the fight against our unrealistic beauty standards. It’s very beautiful to say “love your body” and “embrace your curves” but what is that actually doing if the brand refuses to show their clothes in their final public? The fashion industry has come a long way but there are still many things that are trapped in the past, and treating any model as a mannequin or a store hanger is so outdated! Maybe models should be considered as way to humanize the concept of a collection.

I would like to encourage Brazilian brands to see that there is also beauty in a size 22. Just think of the impact on plus size girls: if they see someone that represents them in fashion ads they might start getting out of their comfort zone and exploring new and different styles that they never imagined could work.

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