Sobre o FWPS, Diversidade e uma Reflexão


Toda edição do FWPS eu escolho os meus looks favoritos das passarelas e falo um pouco sobre a proposta de cada uma. Mas desta vez quero falar sobre algo diferente: esta última edição foi importante porque tocou em um assunto fundamental para o crescimento desse mercado de tamanhos maiores que 46: a diversidade. Foi bonito ver que teve mulheres de todos os tamanhos e cores, teve gestante, teve mulher trans, teve homem desfilando, teve criança, e até cachorro. Tudo isso foi lindo demais e uma delícia de acompanhar.

Mas com tudo isso veio uma questão que me fez pensar: será que essa diversidade toda está alcançando a moda em si? Pensei muito nesse final de semana sobre as marcas participantes, como não me identifiquei com algumas delas (por não ser parte do público alvo), mas também como a nossa sociedade está mudando e as mulheres estão cada vez mais cientes de seus corpos e por consequência, mais empoderadas.

Muitas marcas plus size ainda fazem roupas “provisórias”, para mulheres que compram aquilo enquanto não emagrecem, por isso vemos muito preto, muitas camadas, cortes que emagrecem, que escondem. E por mais que existam cada vez mais marcas jovens no mercado, talvez isso não seja suficiente porque acaba limitando entre “a gorda jovem que gosta de moda” e “a gorda mais velha que quer se esconder”. Vi coisas bacanas neste último evento como a Cristina Sêneda que não fez moda jovem, mas fez uma moda de mulher mais madura, que é elegante e gosta de moda. E nada de se esconder, tinha bastante branco na parte de cima e na parte de baixo, estampas que conversam com o corpo da mulher gorda e modelagens em tecido plano (lágrimas de alegria).

Overlicious-FWPS-Cristina-Seneda-1

A mulher moderna (seja ela jovem ou mais velha) gosta de moda. Ela não quer “coleção diferenciada” “tamanhos especiais”, ela quer acompanhar a moda e ter direito de usar o que as magras usam também. A mulher empoderada que ama seu corpo não quer mais se esconder atrás do preto e das camadas, ela quer ser valorizada. A mulher gorda que se ama não quer mais usar roupa plus size provisoriamente e não acha que entrar em loja plus size é atestado de fracasso.

O evento está cada vez melhor e mais profissional, mas aqui fica esse pensamento para as marcas participantes: a nossa sociedade está caminhando e as mulheres estão cada dia mais livres e cheias de amor próprio. A moda plus size está caminhando junto, mas ainda não pode parar. Tem muito trabalho pela frente, afinal o objetivo é que a moda seja democrática e não diferenciada.

Débora Fomin

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