Reagindo a um Discurso de Ódio


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A atriz Betty Faria deu uma entrevista para a edição de setembro da revista Joyce PascoWITCH, onde ela fala sobre carreira, idade etc e fez o seguinte comentário desnecessário (and gordofóbico):

“Todo mundo tem o direito de falar o que quiser. Eu, por exemplo, não gosto de mulheres gordas. Elas me incomodam profundamente. Tenho repulsa, rejeição. Sempre batalhei para não ser uma velha gorda”.

Não fiquei abismada com o comentário, afinal não é surpresa que nossa sociedade cultua a magreza e rejeita a gordura. Mas o que me chamou a atenção de verdade foi o fato de ela ter dito que mulheres gordas a incomodam e que sempre batalhou para não ser uma velha gorda.

Claro! Quem sempre viveu em uma sociedade em que gordura é sinônimo de tudo que há de mais errado e sujo nesse mundo, é claro que ser uma velha gorda é o fim do mundo. Dei o benefício da dúvida para ela. Até ler este tweet:

Então querida. É preconceito. É bastante preconceito. Sabe por quê? Porque roupas de oncinha, unhas vermelhas não são seres humanos que dividem essa terra que você vive. Não gostar de uma pessoa por uma característica física não é questão de gosto, é questão de preconceito. Faça um exercício de empatia: se alguém falasse que não gosta de você porque você tem 74 anos, é questão de gosto ou discriminação com base na sua idade? Discurso de ódio não é liberdade de expressão, não é opinião. É falta de respeito.

Claro que muita gente se sente no direito de ofender quem reproduziu o discurso de ódio com justificativas como “sempre passamos por isso, temos direito de rebater xingando”. Não, não temos. Uma coisa que escutei minha vida toda é que quando rebatemos ofensas com ofensas, perdemos a razão. Então não é porque sofri bullying, fui xingada, porque a atriz disse que tem repulsa a mim que eu tenho direito de xingar ela de “velha” (embora isso não seja um xingamento), “puta”, “feia”, “nojenta”, etc. Geralmente quem reproduz esse tipo de discurso não está aberto a estar errado, então não vale à pena discutir.

Embora seja saudável problematizar e apontar o erro, eu sou absolutamente contra o time do “que absurdo”. Que é absurdo já é fato dado e ficar remoendo isso nunca vai trazer solução ao problema da gordofobia. Eu sou mais a favor de lutar pelo lado da positividade e penso que quanto mais pessoas se amarem, menos força e efeito vão ter esses tipos de discurso.

Sim, Betty Faria deveria ter fechado a boquinha. Quem sabe um dia.

Débora Fomin

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