Quem é a mulher perfeita?


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Tenho me perguntado muito isso desde o último tapete vermelho do Met gala, onde as mulheres consideradas as mais bonitas do mundo foram julgadas por cada centimetro quadrado de seus corpos incluindo as roupas que estavam usando. Daí isso me pegou: nós estamos sempre nos comparando às mulheres perfeitas. Dizendo que somos muito gordas, muito magras, muito altas, muito baixas, muito claras, muito escuras. Dizendo que não somos boas o suficiente e que ainda falta A pele, O cabelo, O sorriso, O corpo, AS roupas.

Mas então quem é essa mulher perfeita? Qual o nome dela? Se Gisele tem o nariz muito grande e se Alessandra tem a testa grande. Se Gwyneth está com os peitos caídos e se Cameron está ficando velha. Ela não tem nome nem corpo, nem rosto, nem estilista favorito. Ela é apenas uma referência criada por sabe-se lá quem e que continua sendo estampada em revistas e sites repletos de fotos tratadas de modelos que ás vezes não conseguem nem se reconhecer nas próprias fotos.

Essa semana eu estava lendo uma revista de mulherzinha e me deparei com um anúncio direcionado à mulheres de terceira idade. Tratava-se de uma calcinha com um absorvente para quem tem problemas de incontinência; a modelo da foto devia ter seus 60 e poucos anos, mas estava com o rosto sem NENHUMA ruga e o corpo dela era de uma mulher de 30. Dava para ver claramente o tratamento porco feito na foto e me perguntei “será que a mulher de 60 e tantos que passa por isso se sente representada nesse anúncio?” Em apenas uma foto a agência de publicidade tratou de falar que esse problema é digníssimo de vergonha, você está velha mas é inadmissível que seu rosto mostre isso, se você não tem esse corpo sem flacidez aos 60 e tantos, você falhou como mulher.

Não me sinto representada nas revistas de moda e beleza. Não porque sou gorda, mas por todos os outros aspectos! Você tem que fazer um milhão de coisas para TENTAR chegar nos pés daquela modelo da revista que nem sequer EXISTE! Se você pedir para mulheres normais definirem seu corpo com uma palavra, pode ter certeza que essa palavra será negativa. Porque nos alimentamos disso, a mídia constantemente nos fala que não somos perfeitas, não temos o corpo, pele, roupas boas o suficiente para ser A mulher. Já parou para pensar que você é mulher INDEPENDENTE de ser gorda, ter a pele com espinhas, ter o cabelo rebelde e não se interessar tanto por moda?

Muitas pessoas me falam “espero chegar lá um dia” quando eu digo que amo meu corpo, que me acho bonita. Já me pediram dicas de como se amar e é algo muito simples: na próxima vez que você se olhar no espelho faça esse exercício. Antes de começar a procurar pelas imperfeições, preste atenção no que é bonito em você e aprenda a valorizar essas partes. Depois disso olhe para as imperfeições e pense: “o que é imperfeito?” “quem disse que isso é imperfeito?” e “por que não gosto disso em mim?”. Se a resposta para as duas últimas perguntas for “não sei” e “por que não” está na hora de repensar os padrões que te guiam.

Todo mundo adora falar do padrão de beleza, que ele é implacável, que ele é mau e impossível de alcançar. Mas já parou pra pensar que nós somos o motivo dele existir? Que por quê nós nos achamos imperfeitas, feias, gordas, erradas, ele continua crescendo? Quanto mais você falar que você é horrível, usar a palavra “gorda” como algo negativo e olhar para você mesma se definindo como “nojenta” e “horrorosa”, você está alimentando esse monstro chamado padrão de beleza e nunquinha vai se sentir boa o suficiente para NADA. O problema não é o padrão ou a sociedade, somos nós que somos nossos piores críticos e que somos os primeiros a apontar o que é errado em nós com muita dureza.

A mulher perfeita não existe. Pare de busca-la. Sempre vai faltar alguma coisa até você se olhar no espelho e ver que é perfeita como é. Então seja menos dura consigo mesma e olhe para você como uma mulher completa, linda e perfeita.

Débora Fomin

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