Por que não saio mais com caras que preferem as gordas


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Esta é a primeira vez que falo de relacionamentos aqui no Overlicious. Antes de tudo queria dizer que o que está escrito no texto a seguir é opinião exclusiva minha.

Depois que eu fiquei solteira e comecei a sair com pessoas diferentes eu descobri o incrivel mundo dos caras que gostam de gordinhas. Eu não achava que isso existia e achei o máximo o fato de ser eu mesma e ter alguém que goste de mim do mesmo jeito. Com o passar do tempo fui percebendo uma grande diferença entre caras que gostam de gordinhas e caras que preferem as gordinhas. E vou te contar que o buraco é muito mais embaixo e envolve muito mais preconceito do que eu pensava.

Começou com um, aí já me incomodei. Depois veio outro e mais outro e comecei a sentir um padrão de preconceito nesses caras que preferem as gordas. O problema é que o preconceito está mascarado como aceitação e é uma coisa realmente doentia. Conversei até com algumas amigas sobre isso para ter certeza que não era coisa da minha cabeça e cheguei à conclusão de que existe sim um estereótipo de gordas quando o assunto é relacionamentos. Parece que ser gorda é sinônimo de ser fácil de levar pra cama. Ser gorda quer dizer que tudo o que o cara quiser fazer na cama ele vai conseguir. Ser gorda quer dizer que se você acabou de conhecer o cara e ele já partir pra putaria e fotos dele pelado tudo bem.

Isso tudo acontece porque existe uma mentalidade de que se a mulher é gorda, logicamente ela tem a auto estima comprometida, ou seja, ela vai ser mais aberta para esse tipo de coisa porque onde mais ela vai encontrar o amor? Se o único amor que ela conseguiu desrespeita ela como mulher, ela vai ignorar isso para não ficar sozinha. E digo isso com propriedade porque eu mesma já passei por isso e já me submeti à coisas que não concordava por medo de ficar sozinha. Até que eu fiquei sozinha e vi que sim, é legal ter alguém, mas é mais legal quando essa pessoa te respeita e passei a ser mais firme.

Cheguei num ponto de que a última vez que isso aconteceu comigo, eu tinha acabado de conhecer o cara e ele começou a falar de sexo comigo sem que eu desse abertura, assim, do nada. Começou a mandar fotos dele e eu falei com toda a educação do mundo que eu não faço as coisas dessa maneira, eu não gosto de apressar sexo com quem eu não conheço, que foi legal conhecê-lo mas que estávamos procurando coisas diferentes. Daí veio a resposta “nossa, você está sendo muito radical”. Já percebeu que quando a mulher impõe limites ela está sendo radical, é feminista-queima-sutiã, é sapatão? Ou seja, o cara estava errado mas a culpa é minha? Vi que não valia muito a pena ficar discutindo e já bloqueei.

Eu não saio mais com caras que preferem as gordas. Na verdade eu não saio mais com caras que têm preferência esclarecida por qualquer atributo físico. Porque eu não estou nesse mundo como objeto de decoração, eu não tenho a obrigação de agradar ninguém, eu sou uma pessoa que merece respeito. Eu saio com caras que preferem as mulheres, que respeitam as mulheres, que amam as mulheres. Que vêem além do meu corpo, que gostem de mim pelo que eu tenho a oferecer além de sexo. E se for de outro jeito, prefiro ficar sozinha. O meu amor próprio me basta.

Créditos da foto: Lugar de Mulher – tela do celular da Polly falando o que eu morro de vontade de dizer.

Débora Fomin

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