Pare de se desculpar!


Quando estava escrevendo o texto sobre a importância de passar um tempo sozinha, falei um pouco sobre ter aprendido a me desculpar menos pelas minhas atitudes e abraçar minha real personalidade. Achei que isso valia uma reflexão um pouco mais profunda porque entendi a raiz desse problema e penso que muitas mulheres se identificam com isso.

giphy

Como mulheres gordas, somos bombardeadas por comentários de amigos e familiares sobre os horrores de engordar, recebemos mil dietas diferentes todos os dias e 400 dicas de como esconder partes indesejadas do nosso corpo. Esconder. Essa parece ser uma grande prioridade quando se trata de uma pessoa gorda. Aprendemos desde cedo que ser gordo é a morte e que devemos passar nossas vidas tentando fugir desse monstro que é a “obesidade”. E quando falhamos, devemos nos esconder.

Se só a nossa presença física vira uma inconveniência para as pessoas que mais amamos, é natural que isso vire uma bola de neve que nos faz questionar tudo, até além da nossa aparência. Questionamos se merecemos isso ou aquilo, se somos boas o suficiente, vivemos tentando sobressair em diferentes áreas para compensar a expectativa que não conseguimos entregar. Acabamos criando esse péssimo hábito de sentir que estamos sempre incomodando e que precisamos nos desculpar pelo simples fato de existir.

Percebi muito isso em mim quando fiz terapia, tratei muito essa minha luta com a inadequação. Mas como é um pensamento automático que foi alimentado durante anos e anos, tenho que lidar com esse demônio todos os dias. Quando viajei, tive essa epifania. Me dei conta de que aceitar meu corpo faz parte de um pacote e não tenho como amar meu corpo se odeio minha personalidade, se acho que estou no caminho e incomodando. Tive a oportunidade de me conhecer, descobrir meus gostos e desgostos e que tudo bem ser exatamente do jeito que eu sou.

Essa não é uma tarefa fácil porque ela tem como pré-requisito se afastar de pessoas que te fazem sentir como quem não pertence. Alguns relacionamentos valem a conversa, a imposição de limites, como é o caso da nossa família que não podemos sair mandando todos para aquele lugar, à menos que você queira ou ache necessário. E para isso, deve-se dar um passo para trás e refletir se esses relacionamentos realmente acrescentam e são necessários. É de extrema importância cercar-se de pessoas que celebrem suas qualidades e te encorajem a melhorar em suas falhas, pessoas que te empurram para frente ao invés de te colocar para baixo.

giphy (1)

Outro passo importante é aprender a dizer “não“. A Cida já escreveu sobre isso aqui e isso é fundamental. Se você não quer fazer algo, não faça. Se você não gosta de alguma coisa, se afaste disso. Assim, sem precisar se explicar! Sem se desculpar. Você tem todo o direito de ter os seus limites e não tem a obrigação de agradar ou concordar com ninguém.

Já sabemos que não devemos desculpas à ninguém pelo nosso corpo e que temos todo o direito de existir dentro dele, por que seria diferente com a nossa personalidade?

Débora Fomin

    Comments

    comments