O Que Ter Seios Grandes Me Ensinou Sobre Amor Próprio


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Quando eu era criança, eu amava minhas Barbies. Preferia brincar com elas do que brincar com bonecas ou de casinha, amava tudo da Barbie: as roupas, os adereços e o corpinho dela. Queria crescer logo para ter o corpinho da Barbie e enquanto isso não acontecia, brincava de usar os sutiãs da minha mãe com meias enroladas dentro.

Mal sabia que as mudanças do meu corpo viriam antes do que das minhas amigas. Meus seios grandes chegaram quando eu tinha mais ou menos 11 anos, eu sabia que eles eram lindos e femininos, mas não sabia o peso negativo que eles podiam trazer. Minha mãe fez o possível para me proteger da objetificação, mas mesmo se ela não tivesse ido embora cedo, não conseguiria segurar esse forninho sozinha.

Então aprendi que meus seios eram empecilhos, que chamavam uma atenção errada, que eu não podia mais praticar esportes como antes, não podia brincar como antes (muito menos com os meninos) e nem usar minhas roupas como antes. Tudo mudou: eu era mulher e meu corpo havia virado propriedade do mundo. E claro, sempre me senti muito culpada por chamar essa atenção obcena sendo uma criança.

Um dos maiores desafios pra mim não foi me aceitar gorda porque (graças a Deus) eu nunca sofri bullying ou nenhum tipo de preconceito aparente por causa do meu peso. A opressão era diferente: “sobe esse decote” era a frase mais escutada na escola e na igreja. Mas o que eu podia fazer? Mesmo de camiseta eu tinha o volume e meus seios ainda apareciam. Escutei coisas como “ele só quer ficar com você por causa dos seus seios grandes” e “você não pensa em fazer redução?”

Quando comecei a procurar me aceitar como sou, me dei conta de que eu não me incomodava com o tamanho dos meus seios. Me incomodo é com a falta de opções no mercado para seios como os meus, mas isso é assunto para outro post. Sempre achei eles bonitos e sexy mas me custou aceitá-los como uma parte positiva de mim e não uma inconveniência.

Descobri que sim, muitos caras só querem ficar comigo porque tenho seios grandes, mas também aprendi que sou eu que decido se eles vão ou não ficar comigo, que não importa o motivo de um se o outro não está interessado. Cheguei à conclusão de que gosto dos meus seios, que posso fazer academia, correr, fazer o que eu quiser porque eles não me anulam como pessoa. Hoje sei que não preciso de validação de ninguém, principalmente se julgam meu caráter se baseando em um aspecto do meu corpo. Eu não preciso me fazer de vítima porque tenho direito de escolher quem fica na minha vida.

E penso que esse é mesmo o primeiro passo para aceitar a pessoa que você é: parar de se fazer de vítima. Se você aceita quem você é, não tem quem possa te afetar.

Debora Fomin

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