Marcas que Provam que Representatividade Não é Difícil de Alcançar


Já falei bastante por aqui sobre representatividade (se você quiser saber mais sobre a definição clica aqui e para ver o meu #EscutaModaPlus sobre o assunto, clica aqui), mas semana passada senti que um novo movimento começou e estou muito feliz de verdade por ele.

Nosso mercado plus size é super jovem, ele ainda está crescendo, então é natural que as análises e os estudos mudem rapidamente e logo fiquem obsoletos. O importante para quem está no meio é sempre observar essas mudanças e se adequar às novas regras. Isso acontece com qualquer mercado, quem não se atualiza fica para trás. Isso já deu muita TRETA no meio porque como o mercado ainda é pequeno, acabamos nos comportando como habitantes de uma pequena cidade: o profissionalismo é deixado de lado e tudo é personalizado.

Uma marca concorrente aparecer não pode ser encarado como uma ofensa pessoal, assim como um novo movimento surgir e desconstruir o que você escreveu também não é. Eu mesma já escrevi textos que leio hoje e falo “nossa, nada a ver”, mas na época servia no meu contexto, e tudo bem! Ninguém precisa queimar por falar besteira, ninguém precisa pagar por estar errado. O importante é sempre se atualizar e ver que o discurso pode sim mudar e amadurecer.

Quando eu comecei o blog, ser gorda era considerado a morte e ser chamada de gorda era uma ofensa (tanto que eu escrevia coisas como “gordinha” e “curvy”). E comprar em loja plus size? Era atestado de fracasso na vida, era admitir que você não ia conseguir perder aquele peso e que agora suas roupas tinham que ser plus size, mesmo que temporariamente. Hoje as coisas estão mudando, vemos cada vez mais mulheres empoderadas, que se assumem gordas e não querem mais se esconder atrás de peças que disfarcem barriga, coxa, celulite, estria, etc. E isso está gerando um novo movimento: as mulheres estão pedindo por representatividade.

Queremos nos ver em peças publicitárias, queremos enxergar como as roupas ficariam no nosso corpo, queremos que a moda traduza que nós não temos mais vergonha, que nosso dinheiro tem o mesmo valor do que o de uma pessoa magra e que não vamos mais aceitar esse tipo de abordagem. Estamos finalmente falando que essa moda que nos é oferecida não é boa o suficiente, não vamos mais aceitar migalhas de marcas que fazem até o 52, não vamos mais comprar de uma marca que pesa tanto no photoshop a ponto da modelo ficar sem joelho. E claro, estamos incomodando!

Eu aprendi que a publicidade é um espelho da sociedade, é como se fosse uma grande simbiose: uma coisa muda, a outra também tem que mudar. A publicidade dita o padrão de beleza porque a sociedade dita também e acaba virando um ciclo vicioso. Mas alguns passos são dados e a publicidade precisa acompanhar, não porque a publicidade é boazinha, mas porque produtos precisam ser vendidos. Por isso vemos tanto sendo dito em propagandas sobre feminismo, diversidade de gênero, desconstruções de conceitos racistas e homofóbicos, etc. Chegou num ponto em que ser preconceituoso não só não cola mais, como não vende mais. E chegou a nossa vez também de exigir essa mudança! Não adianta bater na tecla de que não vai vender, que não é isso que as mulheres querem. Isso pode ser verdade para uma fatia do mercado, mas não pode generalizar. Conforme o mercado cresce, suas vertentes também se expandem.

Por isso fiz essa lista de marcas que estão acertando muito na representatividade e mostrando que quem não abraça esse novo discurso vai ficar pra trás.

F.A.T
Desde o começo, Bee Reis quis que suas clientes se vissem nas peças. Ela mesma é a modelo. E adivinha? Arrasa de vender.

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Lollaboo
Crow e Sky também fazem questão de fazer tamanhos condizentes com o público, nada de “até 52” aqui. As modelos das campanhas são gordas. E adivinha? Arrasam de vender.

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Chica Bolacha
Com a abordagem “all sizes”, a Chica Bolacha faz questão de incluir em suas peças publicitárias mulheres que representam o público. E adivinha? Arrasam de vender.

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Aí você me diz que essas marcas já são “plus size” e que assim fica fácil pela necessidade do público de comprar roupas desse nicho, não importando muito a publicidade.

Tá.

Você conhece a Quem Disse Berenice?

 

E a Benefit?

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E a Avon?

 

Já passou da hora de abrirmos a nossa cabeça. O bonde está andando, quem fica pra trás perde dinheiro. Não venha me dizer que gorda não vende, não venha mascarar a sua gordofobia numa análise de um mercado que já não é o mesmo. E se esse mercado plus size não quer se adequar às novas exigências, tudo bem! Podem ficar com ele. Nós vamos criar um novo mercado. Um que inclui, um que não segrega, um que representa.

Débora Fomin

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