Eu não vou mais me desculpar por amar meu corpo


Esse é um dos textos mais difíceis que já escrevi. Eu estou há meses começando e sempre deleto tudo pensando “não é uma boa ideia, serei mal interpretada”. Então aqui vai o meu grande “foda-se, isso tem que ser dito”:

Eu vivo falando sobre o trabalho que faço aqui no Overlicious e que tantas amigas blogueiras também fazem: o de levantar a bandeira do amor próprio. Parece que temos sempre que ficar comendo pelas beiradas e passando a mensagem de uma forma que ninguém se ofenda, de uma maneira que feche a boca dos “você faz apologia a obesidade” de plantão. E isso, amigos, cansa.

Decidi de uma vez por todas escrever a real aqui depois que li esse texto da repercussão da contratação de Tess Munster e tudo se encaixou na minha cabeça. Ele explica por A+B o por quê do amor próprio ser tão mal interpretado e considerado até criminoso.

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Basicamente é isso: existe uma coisa chamada “Body Currency” (em tradução livre “Moeda Corporal”); essa moeda é usada para encher o bolso de muitas empresas de produtos de moda, beleza, fitness, health, etc. e ela usa o nosso corpo e os nossos processos cognitivos como meio para alcançar esse objetivo. Essas empresas trabalham muito para construir uma imagem de felicidade, elas criam um padrão, um caminho das pedras e você tem as ferramentas para alcançá-la se comprar os produtos.

Sempre existe um modelo de felicidade, já reparou? A moça das propagandas é sempre magra, jovem, rica, tem um homem ao seu lado e o trabalho dos sonhos. Ou seja, se você não se encaixa nesses padrões você não pode ser feliz. Por isso tememos a velhice, por isso nos validamos tanto nos homens, por isso buscamos sempre o corpo “perfeito”, por isso nos desesperamos se ainda não temos uma carreira bem sucedida aos 25. E a quantidade de pessoas que se encaixam nesse padrão é realmente mínima, então os outros 95% da humanidade segue buscando a tal felicidade com direito a muito ódio próprio e gastando cada vez mais dinheiro para chegar nesse objetivo.

Aí chegamos no ponto: por que o amor próprio é tão mal visto e atacado? Achei interessante que a autora do texto citou uma frase de Gabi Gregg que foi mais ou menos assim “Se tem uma pessoa gorda na televisão tentando perder peso, passando por altos perrengues para emagrecer, todo mundo se sensibiliza e torce por ela. Agora, se essa mesma pessoa gorda colocar um cropped top e falar que se ama, os aldeões acendem as tochas”.

Isso acontece porque as pessoas têm mais empatia com quem também se odeia e quer mudar quem é a qualquer custo. Se alguém fala que se ama como é, o sistema quebra. É como se todo o seu esforço por chegar no tal objetivo da felicidade não valesse nada. E um exemplo muito bom que autora deu para exemplificar isso é o seguinte: você investe todo o seu dinheiro em ações de uma empresa e ao invés de ver seu investimento trazendo lucros, você é informado que o seu dinheiro tem o mesmo valor do dinheiro do Banco Imobiliário.

Sempre que tento falar isso, as pessoas vem me dizer que eu levanto a bandeira da obesidade, que obesidade é doença, que eu estou fazendo as pessoas se matarem. Olha, além de nunca ter visto amor próprio matar ninguém, esse argumento não faz o menor sentido! Se você ama seu corpo, você cuida dele (alô Caetano Veloso “quando a gente gosta é claro que a gente cuida”), é tão claro!

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Amor próprio não é só pra quem é gordo, é para qualquer pessoa! Todo mundo tem direito de se amar sendo alto, baixo, gordo, magro, com deficiência, sem deficiência, de qualquer cor, de qualquer sexo e gênero. E eu não vou mais me desculpar por amar meu corpo, eu amo ele e ponto. Eu sou gorda, eu tenho celulites e estrias, eu tenho cicatrizes de espinhas, eu tenho um metro e cinquenta e eu amo meu corpo. E assim como qualquer pessoa que ama seu corpo eu vou espalhar esse câncer que é o amor próprio para o máximo de pessoas que eu conseguir, você falando que é apologia a qualquer coisa ou não. Deal with it.

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Então compartilho as dicas da autora do texto e da própria Tess Munster: ignore aqueles que dizem que se amar não é certo, sinta pena dos que te odeiam por ser feliz, cerque-se de pessoas que são positivas, isso é crucial para felicidade e bem estar. Nunca compare-se com outras pessoas e sempre celebre suas diferenças e o que faz de você, você.

Débora Fomin

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