#EscutaModaPlus: Sobre a Representatividade em Campanhas


Ano novo e a #EscutaModaPlus continua! Escolhemos abrir 2016 falando sobre representatividade nas campanhas de moda de marcas plus size e já deixar algumas coisas bem claras sobre isso.

Vou começar falando sobre um post que acabou dando briga no Facebook por causa da escolha da modelo da Calvin Klein para a sua linha plus size. A modelo é magra e isso gerou aquela boa e velha discussão: “se isso é plus size, eu sou o que?”. Simples! Você é gorda e ela é magra! Plus size não quer dizer “gorda”, é um termo do mercado que encaixa peças acima do tamanho 46. Ponto. Não, não é roupa pra gorda, é roupa acima do 46. Existe magra que usa tamanhos acima do 46, existe magra que é alta e precisa de tamanhos maiores.

Como já falei aqui, o mercado plus size não veio salvar ninguém. Ele é formado por pessoas que viram uma oportunidade de fazer dinheiro fabricando roupas em tamanhos maiores. Sim, existem marcas com propostas muito bacanas, que visam incluir mulheres maiores e vamos falar sobre elas. Mas você ficaria chocado em saber a quantidade de pessoas gordofóbicas que são donas de marcas grandes.

A Babu escreveu um post importantíssimo sobre o assunto e gostei muito do que ela disse sobre parar de questionar os nossos corpos e sim questionar as marcas. A publicidade que vemos por aí é um reflexo da nossa sociedade. Sim, até as marcas plus size se utilizam desse padrão de que mulher magra vende. Então se queremos marcas plus size que dizem que vendem roupas para mulheres gordas, é sim nossa responsabilidade como consumidoras cobrar essa representatividade delas. Afinal, somos nós que gastamos o dinheiro do nosso trabalho em lojas online com mulheres magras usando as roupas. Dependemos de fitas métricas e compramos um produto cegas ao caimento e qualidade.

Vi muito disso nesse verão: marca plus size fazendo meme de instagram falando que gorda pode usar biquini, mas a menina da foto é magra. Ou quando é gorda está com uma quantidade bizarra de photoshop para parecer mais magra. Eu, como consumidora, confio em pouquíssimas marcas de biquini porque eu tenho seios grandes e as modelos são menores. A marca plus size pode usar a modelo que ela quiser, mas se eu quero ser representada, é meu papel falar que preciso disso (por isso o #EscutaModaPlus).

Existem marcas que já estão mostrando como a peça fica na cliente final através de posts de redes sociais ou ensaios fotográficos. Uma marca que fez isso que achei muito bacana foi a Addition Elle. Eu sei que existem marcas brasileiras que já fazem isso, mas vou dar o exemplo da Addition Elle porque eles fizeram algo que eu NUNCA vi uma marca aqui fazer: ela fotografou duas modelos. Tem a foto normalzona de catálogo com a modelo mais magra, porém plus size, e tem a foto com a modelo gorda, a Tess Holiday!

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Achei isso super bacana porque quando fui para o Canadá no final do ano, fiquei com vontade de comprar uma calça de couro e vi ali, naquela foto da Tess, como a peça ficaria em uma menina gorda. Pronto! Representou o público da marca, ninguém veio com questionamento falando “aff se ela é plus size eu sou o que?” e acabou. Vendeu o produto, a marca não precisou falar que levanta bandeira do ativismo gordo (porque não levanta e esse não é o papel dela) e todo mundo fica feliz.

Vamos por favor parar de brigar no facebook pela definição de uma indústria que não se importa com os seus sentimentos. Vamos de uma vez por todas parar de comparar nossos corpos. E vamos, pelo amor de Deus lutar pela representatividade que tanto queremos! Ao invés de xingar muito no seu facebook pessoal, vá lá mandar inbox para a marca: diga que você gostaria de ver uma mulher gorda nas campanhas, fale que você fica insegura de comprar quando não se vê vestindo a roupa. É sua responsabilidade também.

Débora Fomin

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