Conheça a ALT: a minha marca de tamanhos maiores


Quem acompanhou as redes do Overlicious na semana passada percebeu uma movimentação diferente: comecei a falar de uma marca, postei uma foto ou outra e bastante gente achou que era algum job de modelo que eu fiz. Mas não, a ALT é a marca de tamanhos maiores que estou lançando no dia 16 de julho à princípio no BIG do Rio de Janeiro. Estou há meses querendo escrever esse texto porque além de falar sobre marca também quero falar sobre como cheguei até aqui.

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A moda é uma paixão minha que vem desde a infância, lembro que quando era criança eu amava desenhar roupinhas e já sabia o que eu queria: ser estilista. Cresci e fiz a faculdade, não rolou. Quem trabalha com moda sabe que o mercado é bem ingrato e não é uma boa fonte de renda, então migrei para a publicidade e comecei a trabalhar como designer gráfico. O Overlicious sempre foi uma forma de manter essa chama acesa, onde eu posso me expressar através dos meus looks e textos, onde eu pude ver uma realidade do mercado pelo lado de quem consome e precisa dele para se vestir.

Já fiz vários textos de desabafos sobre as minhas frustrações do mercado, participei do #EscutaModaPlus e nesses 7 anos de trabalho vejo um crescimento gritante nesse nicho, mas ele ainda continuava a não me representar. Minha vida é basicamente garimpar em lojas de magra e brechós: serviu, comprei. Mas eu sou uma gorda menor, meu tamanho é 48 então eu não posso fazer um post falando de um look incrível que eu estou usando mas que só eu posso usar, ainda mais quando tantas mulheres me procuram pedindo dicas de lojas para comprar roupas como as minhas.

Ano passado eu me dei conta de que estava realmente cansada de só reclamar, eu decidi que não vou ser a blogueira do “que absurdo” e coloquei o pé no chão, mesmo que isso afetasse meus números e meus acessos, o compromisso do Overlicious sempre foi com a verdade e o que seria dele se eu não respeitasse a minha própria verdade? O mercado da moda plus size entrou nessa, mas eu vi que nesse caso eu podia parar de reclamar e arregaçar as mangas para fazer a diferença que eu sinto que falta. Então comprei uns tecidos, comecei a desenhar, fui atrás de fornecedores, desisti. Voltei a pegar os desenhos, sentei na máquina de costura, desisti de novo. Precisei da ajuda de pessoas muito maravilhosas que me mandaram parar com essa putaria e fazer de uma vez.

Encontrei uma costureira, fiz alguns pilotos, comprei mais tecidos, reservei meu espaço no BIG e pensei “agora não dá mais pra desistir”. Trabalhando e fazendo 40 mil freelas consegui juntar a grana para fazer a minha coleção que à princípio seria um showcase no BIG e não uma venda. Mas os trabalhos chegavam e eu conseguia mais grana para fazer mais coisas e agora estou com coleção e estoque para expor. Fui atrás de todos os detalhes: etiquetas, etiquetas de composição, tags, cartões, site, enfim…muita coisa! Me organizei de uma forma que desse tempo e consegui fazer tudo sozinha. Decidi que se fosse fazer, que ia fazer tudo certo. Comprei tecidos de qualidade e fui chata com a costureira. Contratei uma fotógrafa foda e uma maquiadora com cases conhecidos, fui minha própria modelo, fiz o styling com a Thaís e saiu!

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Agora vamos ao que interessa.

O que é a ALT?

A ALT é o produto de todos esses 7 anos de estudo de mercado. Ela não representa só à mim, mas à todas as mulheres que não querem seguir as regras impostas pelo próprio mercado, não querem disfarçar barriga, parecer mais magra, e principalmente, não querem andar uniformizadas. Mulheres gordas também acompanham tendências e também querem consumir moda agora. Não querem esperar a releitura do mercado, não querem algo que remeta àquela peça incrível que as magras estão usando. A ALT nasceu dessa necessidade que não é só minha, mas de tantas outras gordas que estão afim de fazer parte disso.

Por que “tamanhos maiores” e não “plus size”?

Porque o plus size como é hoje não representa a marca e nem a consumidora que ela quer atingir. O plus size tem padrões, o plus size tira fotos de mulheres magras para vender para gordas, o plus size sexualiza, o plus size é machista. Então decidi que enquanto a moda plus size não representar o próprio público, esse termo não será usado pela ALT.

Como será a reposição do estoque?

Os tecidos da ALT são super garimpados, eu não tenho um fornecedor fixo então se você viu um tecido nessa coleção é bem provável que você não o veja nas próximas ou até na reposição da coleção atual. Por exemplo, o tecido Venga foi um corte exclusivo que comprei sem reposição, ou seja, as peças com o tecido Venga no lookbook são únicas. Sempre vou buscar tecidos parecidos para repor mas as chances de serem os mesmos são quase mínimas. Mas isso não é uma coisa ruim, isso quer dizer que se você comprou uma peça ALT com tecido diferente ou se só tiver uma peça em um tamanho, ela é única. Ou seja, ninguém mais vai ter essa peça e isso contribui para que você consiga usar a moda para se expressar com criatividade.

Como são os tamanhos?

A tabela de medidas foi por onde a ALT começou, eu pesquisei e estudei MUITO esses números. De verdade, eu passei uns dois meses pensando nisso e não falava de outra coisa. Entrevistei gordas de diferentes tamanhos e cheguei ao consenso de que é impossível representar todos os tamanhos, por isso não me chamo de “all sizes”, mas eu posso tentar e me ajustar conforme o retorno. A tabela vai até o 60, ela começa no 48 porque muitas lojas de magra têm o tamanho 46 e eu queria criar algo exclusivo para a mulher que não quer mais garimpar. É essa aqui:

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Onde comprar?

À princípio, a ALT vai participar de eventos do (e fora do) segmento. Vou participar de feiras de pequenos produtores e de eventos como o BIG. O ecommerce está pronto mas ainda não tenho previsão de lançamento. Enquanto isso, posso receber pedidos pelo facebook depois da reposição do lançamento do dia 16/07.

E qual a faixa de preço?

Os valores das peças foram pesquisados, estudados e analisados. É preciso ter em mente alguns fatores: o mais importante é que eu sou uma pequena produtora e embora o conceito seja de fast fashion, os valores não podem ser. O segundo fator é que os meus tecidos são garimpados e comprados em poucas quantidades. E o terceiro é que eu estou fazendo tudo sozinha e trabalhando muito para isso ser financeiramente viável e responsável. Pensando em tudo isso, não se preocupe, os valores não serão abusivos e nenhuma peça da coleção Contra a Corrente passará de R$299.

O Overlicious vai acabar?

Pelo amor de Deus, não! E ele vai continuar como sempre foi, vou continuar falando o que eu penso sempre e vou falar de outras marcas que gosto porque acredito que podemos trabalhar juntos para que o mercado atenda às necessidades da mulher gorda.

Mais informações:

O lançamento da ALT vai acontecer no BIG dia 16/07 no Rio de Janeiro mas já estou planejando o lançamento de São Paulo que vai ser babado. O site ficou live hoje e você já pode seguir a ALT nas redes sociais:

Facebook
Instagram
Site (O lookbook já está inteirinho aqui)

E é isso! Quis escrever esse texto para que vocês entendessem direto da fonte o que está acontecendo e mudando. Espero que vocês gostem da ALT e por favor me enviem feedback porque a marca é para vocês! O que vocês sentirem que falta no mercado, se vocês acharem que precisa de mais tamanhos, qualquer coisa, me mandem as opiniões!

debora

 

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