As magras não são nossas inimigas


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Recentemente fui adicionada à muitos e muitos grupos de luta anti gordofobia no facebook e não me identifiquei com muita coisa sendo pregada dentro deles. Coisas como membros encorajando rivalidade entre gordas e magras, reclamações constantes dos grandes absurdos que acontecem e muitos chorumes. Mas o que me chateou de verdade foram as pessoas querendo ser “polícia da balança” e julgando quem é ou não é gordo “de verdade” (seja lá o que isso for) e quem tem ou não o ~direito de militar~.

Vamos lá, a militância anti gordofobia é um grande braço do feminismo que luta pela quebra de padrões de beleza. Esses que oprimem todas as mulheres, sabe? TODAS as mulheres, INCLUSIVE as magras. Se você é familiarizada com o feminismo vai saber que para que os padrões sejam quebrados, nós mulheres precisamos nos unir. Ou seja, as magras não podem ser vistas como nossas inimigas! Sim, elas passam por um outro tipo de opressão, e sei que ele não se iguala e não pode diminuir o das gordas, mas elas continuam sendo mulheres oprimidas.

O que me leva à outro ponto: mulheres que excluem mulheres que não são tão gordas do “movimento”. Seguinte, esse “movimento plus size” não pode existir. Lutar para que o corpo gordo seja o único belo não é lutar contra um padrão, é criar um novo. A gorda que não é tão gorda sofre opressão? SOFRE! A gorda que fez redução de estômago pode lutar contra a gordofobia? PODE! E a gorda que emagreceu fazendo reeducação alimentar? Também pode, minhas lindas!

A luta não é exclusiva de ninguém e você precisa parar de julgar quem é digno de lutar e quem não é. O objetivo é incluir e não fazer um clubinho pra excluir quem te excluiu, isso não é primário! Pensa comigo, quando você julga o corpo de uma pessoa (gorda ou não) você está fazendo exatamente aquilo que você luta tanto para que não façam com você! É péssimo quando te excluem de alguma coisa porque você não tem o corpo “certo”, não é? Então pare de fazer isso com as amigas, isso não é sororidade.

Precisamos de uma vez por todas TIRAR O CORPO DA PAUTA. Enquanto ele for o assunto, o preconceito continua existindo principalmente em você. Você não é mais digna da luta porque você pesa 10kg a mais do que x modelo ou blogueira ou ativista. Você não é mais minoria que ninguém e sofrer preconceito não te dá passe livre para ser preconceituoso. A luta anti gordofobia não pode servir como uma desculpa para você ser escrota com quem foi escrota contigo, entendeu? Não é “a nossa vez de reinar”. A luta não é essa.

Então por favor vamos parar de falar “as magras choram” ou dizer que alguém não tem direito de militar só porque não é tão gorda. Vamos focar nos avanços e nas soluções imediatas dos nossos problemas ao invés de ficar apontando mais problemas. Ainda falta? Falta! Nossa geração microondas não entende que mudanças sociais levam bastante tempo (às vezes décadas, séculos) para acontecer. E não vai acontecer tão rápido quanto você quer. É saudável problematizar, mas também não é reclamando e praticando a cultura do “que absurdo” e do “xingar muito no facebook” que tudo vai mudar. Existem problemas, existem magras gordofóbicas, existem gordas gordofóbicas, existem grandes absurdos? Sim, nossa sociedade é gordofóbica. Mas definivamente não é causando rivalidade que vamos conseguir nosso espaço.

Então pare de achar que as magras são suas inimigas, uma força à ser derrotada. Também pare de olhar para as gordas que emagreceram como inimigas, traidoras do movimento. Entenda que para o padrão de beleza deixar de existir, precisamos nos unir.

Vamos arregaçar nossas manguinhas e fazer a mudança que tanto esperamos.

Débora Fomin

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