Às gordas, um puxão de orelha


Essa semana a C&A postou essa foto no facebook:

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A minha reação quando vi isso foi um “facepalm” pensando “nossa C&A, que close errado”, assim como a de muitas outras mulheres. Por que é close errado? Primeiro porque essa moça da foto não é gorda e segundo porque fica o questionamento: por que a C&A está falando sobre ser gorda se os produtos deles não passam do 48?

Até aí a gente já está acostumada a ver marca dando close errado, até porque o mercado não está aí pra salvar ninguém, desconstruir ninguém, empoderar ninguém. Tem as marcas que se salvam? Tem. Mas seguimos decepcionadas, mas não surpresas.

Então por que decidi escrever esse texto? Porque me dei conta essa semana de uma coisa que acontece MUITO em discussões do ativismo nas redes sociais. Você já reparou que em um post feminista sempre tem um comentário de homem ou elogiando ou xingando, e esse comentário é sempre o mais curtido e comentado, mudando completamente o rumo da conversa para o que aquele homem pensa sobre o feminismo? Então, a mesma coisa acontece no ativismo gordo. A pessoa magra ou não-magra muda completamente o sentido da conversa expondo uma opinião carregada de gordofobia (normal) e todo mundo passa a se empenhar para fazer a pessoa mudar de ideia.

Isso aconteceu depois do caso da foto acima. Muitas modelos plus size foram ao resgate (?) da modelo da foto e pioraram muito MUITO a discussão, falando que “acima do peso” = “gorda” e usando IMC para justificar o emprego da palavra. Mas o que não entenderam é que o ataque não é à modelo, ela não tem culpa e está apenas trabalhando. O ataque foi à C&A e o uso de uma modelo não-gorda, isso é um TAPA NA CARA de quem é gorda e se você não entende por que isso é ofensivo, procure ter mais empatia e talvez guarde sua opinião pra você.

Mas esse post não é sobre a modelo plus size que cagou pela boca no facebook. É sobre você. Isso mesmo, você, gorda. E o porquê de você ter se doído TANTO pela merda que escreveram no sobre o que é ou não ser gorda. Vou deixar claro que nem toda modelo plus size está dentro do ativismo gordo, assim como nem toda blogueira e nem toda gorda está engajada na luta. A pessoa estar nesse meio não necessariamente significa que ela entende da causa, significa que ela tem um trabalho e está ganhando dinheiro com ele. Eu mesma já me decepcionei muito com pessoas que admirava, mas que na verdade tinham discursos mega gordofóbicos e problemáticos.

Acho as discussões saudáveis até o ponto que elas viram missão pra desconstruir quem não quer ser desconstruído, mas estar certo. Precisa mesmo que os homens entendam o feminismo? Precisa mesmo fazer com que as magras e não-magras entendam sobre representatividade? Vale à pena dar murro em ponta de faca? Quem tem que entender sobre representatividade são as empresas que contratam essas modelos, elas que precisam entender que o nosso dinheiro vale a mesma coisa do que o das mulheres magras e que somos consumidoras.

Então pense sobre o desvio e a energia gasta com pessoas que não vão mudar de ideia e que na real, não importa muito o que elas pensam porque elas não estão inseridas nisso. Elas não estão nem roubando o protagonismo, nós é que estamos entregando ele. Eu penso que alimentar essas discussões é um atestado de inferioridade, porque fazendo isso você fala que é inconcebível que uma pessoa magra não entenda a sua luta, como se a aprovação dela fosse super importante.

Acho que é o momento de parar e reagrupar, porque estou cansada desse ativismo de tretas.

debora-overlicious

 

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