A importância de ficar sozinha


Quem me acompanha no Instagram, sabe que passei quase o mês inteiro de abril viajando (e isso justifica a minha ausência aqui do Overlicious). Sempre foi um grande sonho visitar a França, então no começo do ano passado decidi que ia fazer isso acontecer mesmo que demorasse. Comprei minha passagem parcelada com mais de um ano de antecedência, guardei dinheiro, fiz freelas e tudo que consegui para realizar esse sonho. E não é que deu certo?

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Tenho uma grande amiga que mora em Paris há alguns anos que me hospedou, mas como ela trabalha durante a semana sabia que iria passar a maior parte do meu tempo sozinha. Nunca viajei sozinha. Nunca visitei um país diferente sozinha, principalmente um que não falo a língua e essa parte também entrou no meu planejamento, consegui aprender o suficiente para me virar por lá: entendi os cardápios, aprendi a pedir o que eu queria e não recebi nenhum pedido errado.

Sabia que seria um grande passo passar todo esse tempo sozinha porque as coisas aconteceram meio que inversas pra mim: eu aceito meu corpo com mais facilidade do que eu aceito a minha personalidade. Eu sei que não sou uma pessoa fácil, sou uma escorpiana bem pavio curto, sou extra sensível e ciumenta e tenho o costume atribuir à todos os meus relacionamentos fracassados a culpa da minha personalidade. Com isso desenvolvi a péssima prática de me desculpar por tudo, de achar que incomodo e que não sou bem vinda. Para lidar com isso, me cerco de pessoas que não me fazem sentir assim, mas quando estou sozinha a história é outra.

Uma amiga se ofereceu para viajar comigo, minha irmã viu preços de passagem e hotel mas eu bati o pé e disse que precisava disso. Precisava me conhecer sozinha, sem a proteção de ninguém, me virando sozinha sem saber me comunicar. Os eventos também conspiraram para que eu não tivesse um tempo exatamente tranquilo nas primeiras semanas e isso me empurrou mais ainda para resolver meus problemas sozinha, e no fim das contas foi muito maravilhoso.

Quando você passa tempo sozinha, você não precisa pedir permissão para fazer as coisas, não tem que ver se o que você quer fazer se encaixa nos planos de todo mundo, você só vai lá e faz! Então eu montei meus horários, comi o que eu quis, onde eu quis, passei o tempo que quis nos lugares e isso me fez aprender que não tem problema em ser como eu sou, em gostar das coisas que eu gosto, em decidir o que eu quero fazer e manter meus planos (mesmo que sejam inconvenientes para quem estiver perto de mim). Aprendi a respeitar meus limites e a minha individualidade e que tudo bem às vezes não querer seguir o plano do grupo ou até mesmo querer ficar em casa, não responder mensagens de whatsapp e ficar comigo mesma.

Com o tempo também parei de dar importância para o que estava postando e se estava postando. No dia em que fui à Notre Dame não conseguia fazer uma foto sair do jeito que eu queria, minha câmera simplesmente não estava conseguindo traduzir o que eu estava sentindo ali. Até que chegou uma hora em que desisti e pensei “quer saber? tudo bem!” Dizem que a felicidade só é real quando compartilhada e hoje posso dizer que discordo disso. Alguns momentos são só nossos, servem só para a nossa memória e isso dura mais do que uma impressão de post de Instagram e Facebook. Eu sei o que eu vivi e que vou levar essa experiência para o resto da minha vida.

E você não precisa fazer uma viagem grande para se descobrir.

Às vezes só separar um tempo para você já traz uma outra perspectiva sobre si.

Débora Fomin

 

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