5 Maneiras Eficazes Para Lutar Contra a Gordofobia


Algo que me incomoda demais em movimentos de minorias (feminismo incluso) é que raramente vejo alguém propondo soluções aos problemas de preconceito que vivemos diariamente. Pensei muito antes de falar sobre isso porque há quem diga “mas é importante expor os problemas”. E sim, é verdade, os problemas precisam parar de ser ignorados e devem ser expostos para que existam soluções. Mas…onde estão as soluções? Nada muda  se não arregaçamos as nossas manguinhas para resolver nossos problemas.

Gostaria de falar sobre esse texto lindo que li aqui que fala sobre maneiras eficazes de combater a gordofobia e resolvi traduzir os itens adicionando comentários meus:

1. Eduque-se sobre saúde

Esse é o primeiro argumento apresentado pela “polícia da saúde” no facebook. Esses dias saiu um artigo sobre o peso de Tess Munster e todo mundo comentando que aquilo era doença e etc. Então vamos falar sobre IMC, peso, saúde e atividade física, ok?

A escala IMC é totalmente imprecisa, superficial e contém milhares de limitações e deficiências. Estudos feitos por pesquisadores do British Medical Journal chegaram à conclusão de que “a determinação das categorias ‘normal’, ‘sobrepeso’ e ‘obeso’ é arbitrária e está em desacordo com as provas subjacentes sobre a associação entre o índice de massa corporal e mortalidade, um fato que destrói o valor diagnóstico e os propósitos científicos do índice”. OU SEJA, não dá pra associar IMC com mortalidade por obesidade! Os seus valores de peso e altura são informações insuficientes para determinar se você está doente.

Então não adianta nada você saber que Tess Munster tem mais de 120kg e mede 1,60m. Isso não é informação o suficiente para determinar se a moça vai morrer por causa de obesidade, falou?

Outro fator importante: você não pode julgar o quanto uma pessoa é fisicamente ativa e quão em dia está a nutrição dela com base no tamanho do corpo dela. Para explicar isso melhor, segue essa imagem de várias mulheres que tem alturas diferentes e todas pesam 70kg. (Será que a mais baixinha está correndo riscos de diabete e doenças cardíacas e a mais alta está com sintomas de anorexia?)

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Se não foi suficiente, vamos falar dessa moça que pratica Yoga e esportes nesse tamanho todo dela (pode seguir no instagram @biggalyoga). Mas COMO ASSIM alguém desse tamanho é fisicamente ativa. Acredite, simplesmente é. Cuide da sua vida.

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Moral da história: não julgue a saúde das pessoas, principalmente se você não entende nada de saúde e principalmente 2 se você não for o médico dessa pessoa.

2. Revisite suas intenções

Sempre que for julgar alguém por ser gordo, sempre que for dar um toque com “preocupação” se pergunte: “o que eu tenho a ver com isso?” “Como isso ME afeta?”.

Overlicious-5-Maneiras-Eficientes-para-Combater-a-Gordofobia-3Diagrama de Venn “meu tamanho” “minha saúde” “seu problema”: repare que não há interseção dos conjuntos.

O peso não é um indicador de saúde e a obesidade não é uma “epidemia” que precisa de uma “cura”. Então que tal tratar as pessoas como seres humanos? Os adeptos do fat shaming geralmente defendem seus discursos falando que querem “o bem” das pessoas e têm a “melhor das intenções”. Certo, mesmo que isso seja verdade, mesmo que seja alguém da sua família que você acha que está doente e você quer realmente ajudar, você acha que fatshaming e desumanizar essas pessoas é o caminho certo?

Então talvez descer do palquinho seja uma boa opção porque a saúde da outra pessoa nunca será assunto seu. Você não tem direito de humilhá-los. Você não tem direito de definir o valor dessas pessoas. Nunca.

3. Confronte o “Concern Trolling”

Concern Trolling é um termo que significa “uma humilhação disfarçada de boas intenções”. Alguns exemplos:

– “Só estou preocupado com a sua saúde”
– “Você seria linda se perdesse peso”
– “É pelo seu bem”
– E muitas outras baboseiras que já tratamos aqui.

Overlicious-5-Maneiras-Eficientes-para-Combater-a-Gordofobia-4“Tem certeza que vai comer isso? Me preocupo com a sua saúde”

Esses comentários não ajudam ninguém e podem ser extremamente nocivos. Se você ouvir alguém fazendo isso, intervenha; pergunte onde isso é assunto deles. Aproveite e coloque na roda alguns fatos sobre saúde que mostram que a saúde nunca é binária, e sim muito complexa. Diga que não existem padrões para saúde e que o que eles estão falando é bastante opressivo.

4. Entenda as Convergências

Um homem branco cis e hétero que é gordo tem uma experiência diferente do que uma pessoa gorda que também faz parte de outras minorias e é oprimida por outros padrões. A gordura é um estigma em todos os corpos, mas para algumas pessoas ela apenas contribui com outras formas de opressão.

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Ou seja, se você não é gordo mas sofre preconceito por qualquer outro motivo, isso não te dá passe livre para diminuir o problema de uma pessoa gorda. Todas as mulheres são oprimidas pelo padrão de beleza, mas é uma falsa simetria uma mulher magra dizer que sofre a mesma opressão que uma mulher gorda. Pare de comparar quem sofre mais e ofereça um pouco de compaixão, é sempre bom.

5. E mais do que tudo: humanize!

No fim das contas tudo se resume a isso: como você acha que os seres humanos devem tratar uns aos outros? Você acha que fatos inconclusivos sobre saúde são mais importantes do que a humanidade de alguém? Você acha que humilhar alguém é o caminho para a “cura” dessa pessoa? Como você gostaria de ser tratado se estivesse no outro lado?

Overlicious-5-Maneiras-Eficientes-para-Combater-a-Gordofobia-5Como você se sentiria se a sua existência fosse motivo de incômodo para outras pessoas?

Devemos sempre tratar uns aos outros com empatia, compaixão e RESPEITO.

Para quem está do lado de cá e está bastante cansado de passar por essa situação, uma dica: não gaste sua energia com quem não vale à pena, escolha suas batalhas e pare de se desculpar por ser quem você é. Pare de uma vez por todas de justificar a sua saúde para quem não se importa de fato com ela. A mudança começa sempre em nós e nunca nos outros, por isso a sua reação é sempre a mais importante para que a gordofobia se enfraqueça, pense sempre nisso.

Débora Fomin

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